Jardins de Valência
O jornal Sol publicou, ontem, uma matéria muito interessante sobre a proposta de fusão dos 1º CEB e 2º CEB, em consequência das recomendações do Relatório do CNE, A Educação dos 0 aos 12 Anos. Fui solicitado pelo jornal a dar a minha opinião sobre essa proposta. Eis as perguntas e as minhas respostas:
Pergunta: Até que ponto será possível reunir as competências necessárias numa só pessoa para leccionar matérias tão distintas num grau já mais avançado do ensino (o 2.º ciclo)?
Ramiro: É muito difícil. Os professores que leccionam no 2º CEB não têm formação científica e pedagógica para leccionarem todas as áreas curriculares. E nem falo sequer nas Artes e na Educação Física, que exigem uma especialização muito concreta. No mínimo serão necessários 5 professores caso se queira assegurar alguma qualidade nas aprendizagens. Os novos professores, a serem formados, no quadro do decreto lei 43/2007 de 22 de Fevereiro, também não terão as competências necessárias. O chamado perfil 4, que esse diploma cria (professores generalistas para os 6 anos de escolaridade), irá proporcionar uma formação científica e pedagógica muito fraca. Constitui um enorme retrocesso. Os autores da proposta de fusão dão a entender que concordam com o decreto lei 43/2007 de 22 de Fevereiro e com o novo modelo de habilitações para a docência. É um modelo que já está em marcha e que se iniciou este ano lectivo com a abertura do 1º ano da Licenciatura em Educação Básica. Impõe uma formação em mosaico, demasiado generalista, que pretende ensinar um pouco de tudo mas nada em profundidade.
P:A Matemática (que tão fracos resultados costuma obter) não pode vir a sofrer com isso?
R: Claro que sim. São reconehcidas as dificuldades que os professores do 1º CEB mais jovens têm na Matemática. Será muito pior com a Matemática do 2º CEB que, evidenteente, é mais complexa.
P: Esta é uma medida que pode aumentar a precariedade dos professores? Como?
R: Se for implementada, haverá milhares de professores que irão ser dispensados por ficarem com horários zero. Irão para o quadro de mobilidade. Estou a lembrar-me sobretudo dos professores de educação física e de artes. A medida irá criar uma enorme instabilidade nos professores do 2º CEB.
P: Em seu entender faz sentido usar como argumento o facto de a transição do 1.º para o 2.º ciclo ser traumática para os alunos?
R: É um completo disparate. Acontece exactamente o contrário. É com entusiasmo e alegria que os alunos mudam da escola do 1º CEB para a escola do 2º CEB. Pode constituir uma oportunidade de crescimento.
P: Esta medida pode contribuir para infantilizar os alunos do 2.º ciclo?
R: O objectivo parece ser esse. Há uma ideia romântica sobre a infância e a puberdade no Relatório da CNE. Os autores não percebem que as crianças são mais fortes do que parecem e gostam de desafios. É uma medida disparatada e sem sentido. Há uma ideia subliminar nesta proposta de fazer do ensino básico um grande jardim-de-infância. E se lhes fizerem a vontade, hão-de regressar mais tarde a exigir o mesmo para o ensino secundário. Não têm emenda!
Ramiro: É muito difícil. Os professores que leccionam no 2º CEB não têm formação científica e pedagógica para leccionarem todas as áreas curriculares. E nem falo sequer nas Artes e na Educação Física, que exigem uma especialização muito concreta. No mínimo serão necessários 5 professores caso se queira assegurar alguma qualidade nas aprendizagens. Os novos professores, a serem formados, no quadro do decreto lei 43/2007 de 22 de Fevereiro, também não terão as competências necessárias. O chamado perfil 4, que esse diploma cria (professores generalistas para os 6 anos de escolaridade), irá proporcionar uma formação científica e pedagógica muito fraca. Constitui um enorme retrocesso. Os autores da proposta de fusão dão a entender que concordam com o decreto lei 43/2007 de 22 de Fevereiro e com o novo modelo de habilitações para a docência. É um modelo que já está em marcha e que se iniciou este ano lectivo com a abertura do 1º ano da Licenciatura em Educação Básica. Impõe uma formação em mosaico, demasiado generalista, que pretende ensinar um pouco de tudo mas nada em profundidade.
P:A Matemática (que tão fracos resultados costuma obter) não pode vir a sofrer com isso?
R: Claro que sim. São reconehcidas as dificuldades que os professores do 1º CEB mais jovens têm na Matemática. Será muito pior com a Matemática do 2º CEB que, evidenteente, é mais complexa.
P: Esta é uma medida que pode aumentar a precariedade dos professores? Como?
R: Se for implementada, haverá milhares de professores que irão ser dispensados por ficarem com horários zero. Irão para o quadro de mobilidade. Estou a lembrar-me sobretudo dos professores de educação física e de artes. A medida irá criar uma enorme instabilidade nos professores do 2º CEB.
P: Em seu entender faz sentido usar como argumento o facto de a transição do 1.º para o 2.º ciclo ser traumática para os alunos?
R: É um completo disparate. Acontece exactamente o contrário. É com entusiasmo e alegria que os alunos mudam da escola do 1º CEB para a escola do 2º CEB. Pode constituir uma oportunidade de crescimento.
P: Esta medida pode contribuir para infantilizar os alunos do 2.º ciclo?
R: O objectivo parece ser esse. Há uma ideia romântica sobre a infância e a puberdade no Relatório da CNE. Os autores não percebem que as crianças são mais fortes do que parecem e gostam de desafios. É uma medida disparatada e sem sentido. Há uma ideia subliminar nesta proposta de fazer do ensino básico um grande jardim-de-infância. E se lhes fizerem a vontade, hão-de regressar mais tarde a exigir o mesmo para o ensino secundário. Não têm emenda!